Entretanto, todo o sistema de produção originalmente anunciado para a RED One está concretizado. Existem inúmeros filmes a serem rodados com ela, assim como a sua aplicação em projetos audiovisuais de todo o tipo se sucede - razão pela qual as RED One originais se viam por toda a feira em Las Vegas. Seja para promover novos tripés e acessórios de produçãoRED, seja para demonstrar a sua interoperacionalidade com sistemas de produção.
Apenas no pavilhão central do NAB 2009 (onde se concentram as empresas de hardware de produção), era possível contar umas 20 câmaras RED num breve passeio pelos stands. Uma situação curiosíssima, sobretudo porque quem as quer comprar não as consegue ter e também pelo fato de que o modelo RED One original não obteve sequer certificação européia (marca CE, obrigatória para se poder revender, alugar ou simplesmente para se obterem seguros de produção), impedindo que quem a tenha comprado na Europa possa alugá-las “às claras” em produções oficiais.
Mesmo assim, o “efeito RED” está criado e, como todos os fabricantes de câmaras já perceberam, o mercado nunca mais voltará a ser o mesmo. Conseqüência direta desse “efeitoRED” é que a atenção sobre outras câmeras de cinema digital redobrou também, beneficiando a Silicon Imaging, por exemplo, que está vendendo muito bem a sua SI-2K. Isso até surgirem no mercado os novos concorrentes 4K que se sabe estarem em preparação, como é o caso da Sony, que prometeu ter um sistema completo de produção em 2010 e que, conforme conseguimos apurar, tinha uma demonstração de protótipos 4k em curso numa sala reservada em Las Vegas (à qual a imprensa ainda não podia ter acesso).
Ao mesmo tempo, os argumentos da RED parecem ter sido demasiados para o único fabricante que, até agora, havia desenvolvido e colocado no mercado uma câmera verdadeiramente 4K. Os canadenses da Dalsa Corporation já fecharam a sua divisão Digital Cinema, depois de terem falhado todas as tentativas de vender a tecnologia e a organização de aluguéis criada em Los Angeles. Em 2008, a Dalsa sofreu diretamente com as sucessivas greves que se viveram em Hollywood e, apesar de a sua câmera Origin ter sido usada no último filme 007 “Quantum of Solace”, a realidade é que os “mamutes” que eram essas câmeras se mostraram pouco atrativos para a indústria.
Durante os últimos meses, a Dalsa esteve em negociações com os alemães da Arnold & Richter Cine Technik (ARRI), mas sem sucesso. As poucas câmeras existentes foram vendidas a uma empresa de aluguel de Hollywood mas, tanto quanto se sabe, foram descontinuados quaisquer planos de desenvolvimento posteriores, especialmente no que diz respeito ao ambicioso projeto de criação de objetivas próprias para o formato. Isso não quer dizer que a lucrativa divisão de semi-condutores e sensores da Dalsa não venha a participar ativamente em projetos 4K de outros fabricantes no futuro, já que a marca continua a desenvolver tecnologia nesse âmbito para aplicações científicas e industriais. Aliás, não nos admiraria muito vir a encontrar os sensores da Dalsa em futuras câmaras 4K de outros fabricantes. Mas uma coisa é certa, os tempos de recessão já fizeram a sua primeira baixa no sonho 4K e o aviso está dado à indústria em geral.
O NAB 2009 trouxe uma mensagem de realismo à indústria como já não se via à muito tempo. Mas é justamente por isso que ganham ainda maior importância os lançamentos e anúncios a que assistimos neste evento: porque, esses sim, parecem estar mais firmemente consolidados que nunca.
Novos caminhos da indústria broadcast O presidente e CEO da NAB, David K. Rehr, proferiu discurso dando destaque à rádio na Internet, à evolução da norma digital HD Radio, à integração da rádio nos celulares e aos novos dispositivos portáteis como linhas de força que orientam a inovação na indústria.
No que diz respeito à televisão, onde a transição digital ainda continua, David K. Rehr lembrou a importância da adoção da HDTV e apontou como grande oportunidade a televisão móvel. Nos Estados Unidos, os broadcasters agora se preparam para adotar a tecnologia In-band, emitindo sinais secundários para recepção móvel nas suas próprias redes e freqüências, em regime free-to-air. A formação da Open Mobile Video Coalition, que congrega o interesse de mais de 800 emissoras de televisão, reflete esse interesse em levar a televisão digital aos dispositivos móveis e portáteis, tendo a NAB afirmado que espera ter em 2012 mais de 130 milhões de celulares e 25 milhões de media players preparados para receber a televisão móvel.
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