segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Câmeras RED se espalham pelo país


As cultuadas câmeras digitais RED, que capturam com resolução de 4520 x 2540 pixels, ou 4k, estão recebendo constantes encomendas e, em breve, estarão presentes em maior quantidade no Brasil. As primeiras câmeras chegaram ao país no final de agosto de 2007 e, de lá para cá, o número de pedidos fez criar uma lista de espera que somente acabou neste segundo semestre de 2008. “Agora, tem umas 15 REDs em São Paulo. É o momento do boom”, disse o assistente de câmera Ednei Sulzbach, que ministrou em novembro um workshop de dois dias sobre o uso da câmera para diretores, técnicos e produtores. “Daqui a dois meses, a gente não vai mais conseguir contar quantas REDs tem no mercado. Muita gente está encomendando”, garantiu o técnico.

Um dos novos clientes da RED é o diretor free-lancer Luiz Fernando. Depois de trabalhar no mercado de Curitiba (PR) com várias câmeras – 35mm, 16mm e digitais – o diretor resolveu comprar uma RED neste fim de ano. “Acho que é o caminho para o cinema, pelo barateamento de custo, facilidade de produção e por conseguir chegar hoje num resultado final excelente. Diferente da película, mas muito bom”, considera.
A JKL Cine, locadora de equipamentos cinematográficos, possui duas REDs. A empresa fez testes com a câmera e estreou a novidade num curta-metragem rodado em novembro passado em Florianópolis. A equipe gravou em 4k em formato 2 para 1, usando 6 cartões de 8 GB, 2 MacBooks Pro e 4 Terabytes de HD para backup. “Vai ser feito um transfer para 35. O material final é cinema”, afirmou o engenheiro elétrico da JKL, Mário Janine.

A presença da câmera não se limita às regiões Sul e Sudeste. A WG Produções, de Aracaju (SE), vai fazer o primeiro uso da RED em janeiro, na gravação de um documentário de 50 minutos para a TV pública local Aperipê, transmissora da TV Brasil. “A gente trabalha com a XDCAM, nas estações Final Cut, e agora vai passar a trabalhar com a RED também. A gente comprou numa feira em Amsterdã, na Holanda, no ano passado. Fizemos o pedido e ela chegou”, conta o editor master da produtora, Everton Junior. “A gente também vai trabalhar muito com essa câmera no estúdio, para fazer candidatos e as promoções institucionais do Governo do Estado”, planeja Junior.

O próprio palestrante do workshop, Ednei Sulzbach, contou o caso de duas produtoras de São Paulo que, acostumadas ao uso de película, experimentaram a RED para fazer comerciais e chegaram a resultados distintos. “Ambas criaram um segmento, dentro da produtora, para trabalhar o digital. Numa delas, o processo se tornou super natural depois de alguns filmes. Na outra, a gente fez dois filmes, mas eles apostaram muito mais em AVID, que não é tão simples de trabalhar com a RED quanto o Final Cut. São dois casos que partiram de uma situação parecida, mas hoje a segunda produtora prefere fazer em película sempre que possível”, exemplificou.

A RED esquentou o debate sobre a suposta substituição da película pelo digital. Mas Sulzbach acredita que nenhuma irá desaparecer. “A gente vê a RED, no Brasil, como um equipamento que veio substituir o 35mm. Mas não é isso. O digital não veio para concorrer com a película. A REDveio para concorrer com outras câmeras digitais. Em 20 ou 50 anos, o digital vai tomar cada vez mais lugar, mas não por mérito, porque há muitas situações que a 35mm faz melhor que a RED. Cada um vai tomar seu rumo”, prevê o técnico.

Parte do sucesso da RED é seu preço. No site oficial, o corpo da câmera digital sai por U$ 17.500. Ela tem dimensões de 30,5 x 16 x 13,2 cm, pesa 4,1 kg, e tem um sensor de imagem CMOS de 12 megapixels, com a dimensão de um quadro de película Super 35mm (24.4x13.7mm) – o que permite a captura de vídeo, sem compressão e com baixo ruído de sinal, na resolução de 4520 x 2540 pixels. A câmera não requer adaptadores para usar lentes de película 35mm, graças ao sensor de imagem do mesmo tamanho da área da película. Os acessórios podem ser os mesmos do 35mm. Além disso, de acordo com o fabricante, a REDpermite futuros upgrades.

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